quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Atelier de sementes e raízes

 

Onagra – perfume do entardecer


A onagra (Oenothera biennis), também conhecida por erva dos burros, é uma planta bienal, da família das Onoteráceas. Cresce espontânea nos prados, bermas de estrada, ribanceiras, etc. Floresce entre Maio e Setembro e chega a atingir 1,5m de altura. Dos botões avermelhados dispostos ao longo do caule erecto, vão surgindo ao anoitecer flores de um amarelo florescente que duram apenas de um a dois dias, para logo murcharem e darem o lugar a outras, de forma que a planta está sempre em flor. Estas flores emanam um doce e delicado perfume, e o seu pólen é transportado por abelhas e borboletas nocturnas
Originária da América do Norte, foi importada da Virgínia para a Europa (Pádua, Itália) em 1619. A partir de então difundiu-se por todo o continente europeu, ao qual se adaptou facilmente. A onagra é hoje cultivada comercialmente para a extracção do óleo das suas sementes.
O óleo de onagra é uma das substâncias mais ricas em ácidos gordos insanturados (ácido cislinoleico, e ácido cisgamalanoleico).

Propriedades

As cápsulas de óleo de onagra que pode comprar em qualquer ervanária, são muito úteis no combate a problemas relacionados com o síndrome pré-menstrual. É ainda útil em todo o tipo de problemas de pele, especialmente eczema. Faz baixar a tensão arterial e evita a agregação de plaquetas, protegendo de doenças coronárias. É ainda útil no combate ao excesso de peso, perturbações mentais, arterite, e desintoxicações de alcoólicos, regenerando o fígado e actuando como calmante e anti-depressivo.

A onagra, juntamente com o hipericão, é uma das plantas sobre a qual se têm feito mais estudos. Por exemplo: em 1981, no St. Thomas Hospital em Londres, foram tratadas 65 mulheres com síndrome pré-menstrual; 61% das mulheres tiveram alívio completo e 23% tiveram alívio parcial. Um outro estudo publicado na revista Lancelote comprova que as cápsulas de óleo de onagra administradas a crianças hiperactivas ajuda a acalmá-las. São ainda reconhecidos bons resultados em testes feitos a pacientes que sofrem de febre reumatóide.

As flores, folhas e casca do caule são sedativas e têm sido utilizadas no tratamento da tosse convulsa e asma, e ainda externamente em cataplasmas para aliviar dores reumáticas.

Culinária

As flores comestíveis e com sabor semelhante ao da alface servem para decorar saladas e pratos vários, depois de retirada a parte de dentro das sépalas. As folhas mais tenras e as raízes são também comestíveis, tendo estas um sabor semelhante à pastinaca, muito apreciada nos países nórdicos.

Receita – molho de pepino com onagra

-         Seis botões de flores de onagra;
-         2 iogurtes naturais sem açúcar ou 125g de queijo creme;
-         2 pepinos médios;
Onagra (Oenothera biennis)
Onagra (Oenothera biennis)
-         3 colheres de sopa de hortelã-pimenta picada
-         Pimenta
-         Sal
-         ½ limão

Ralar os pepinos descascados e espremer a água. Juntar os iogurtes ou o queijo, a hortelã e os botões de onagra, retirando a parte verde. Juntar sal, pimenta e sumo de ½ limão. Misturar tudo e decorar com flores frescas de onagra antes de servir.
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Foto
Reparem só nas raízes da onagra, sºao comestíveis, sabiam?
De facto têm um ar bem comestível, estas raízes e as folhas também.
E cá estão as cápsulas  contendo milhares de sementes de onde se extrai o famoso óleo de onagra.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Datas dos próximos cursos de plantas medicinais e aromáticas



2 de fevereiro Agrobio Quinta da Piedade Póvoa de Santa Iria------esgotado
10 de fevereiro Passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Sintra
16 de fevereiro Fundação Oriente Lisboa esgotado 
17 de fevereiro das 10 às 13 quinta dos 7 nomes Banzão/Sintra
17  de fevereiro, passeio e reconhecimento de plantas medicinais Cabo da Roca/Sintra das 15 às 18
23 de fevereiro Alcobaça Green Cork

1 de março   Mediterranean garden society

1 to 3 March - The Hapimag Albufeira Resort, Algarve
MGS Spring Conference ‘Friends and Foes in the Mediterranean Garden’
All are invited to join us at our second spring gathering. We shall be looking at alien invasive plants and plants from other mediterranean-climate zones, and shall be highlighting the global contribution of the vast wealth of plants available to us from the mediterranean flora. The aim is to make us think before we plant. 

3 de março  Associação Almargem Loulé





terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sol de inverno com oxalis

E enquanto o mês de janeiro vai chegando ao fim e a incandescência do amarelo-limão das oxalis vão iluminando os dias que se esticam pouco a pouco, eu vou imaginando no ar e na terra que a primavera está quase a chegar, que vem sorrateira, toda vestida de camomilas e calêndulas silvestres,  flores de malvas e borragens, papoilas e madressilvas.
Sai para fotografar as oxalis mais conhecidas por azedas, de sabor ácido que as crianças conhecem como azedas e que são um trevo e apresentam algum interesse como planta silvestre comestível, que deve ser usada com moderação devido ao ácido oxálico que a compõe.
A Oxalis pes-caprae L.ou azeda pertence à família das Oxalidaceas, é uma infestante, oriunda da África do sul mas tem pólen para as abelhas durante o Inverno, eu bem as ouvi zumbir enquanto as fotografava. 


Para mim representam dias de sol no meio do inverno e vou inclui-las na minha agenda 2014 sobre plantas silvestres comestíveis. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Seminário ECO-ESCOLAS


Enquanto conduzia para norte, debaixo de chuva, de Sintra para  Águeda, na quinta.feira, apenas cinco dias depois do grande temporal que destruiu  parte do património que me é mais querido: as minhas grandes irmãs ÁRVORES. Fui entristecendo enquanto o cenário de beira de estrada desfilava perante o meu olhar incrédulo.
Foi como deixar de acreditar no pai natal, perceber que afinal as árvores não morrem de pé.
Gigantes prostrados e indefesos, desenraizados, imóveis, consumidos pelo peso de um silêncio escuro e tristonho, de quem sabe, que ao seu redor várias outras espécies arbóreas foram também fustigadas pela fúria impiedosa do vento. Caladas para sempre, largadas abruptamente a um novo ciclo que será terra, musgo, fogo, fumo ou água, quem sabe... Árvores não serão nunca mais. Ou talvez sim, talvez tenham deixado descendência. Pousadas, aguardando nova vida as sementes esperam o tempo certo para recomeçarem um novo ciclo de 300, 400 ou 500 anos.
O certo é que por muito que racionalmente entenda os ciclos da vida, ver tanta árvore monumental derrubada no chão,  aperta o coração e, no meu caso, confrontou-me com a realidade vulnerável, frágil e efémera de todas as raízes incluindo as minhas.

No parque de Alta Vila em Águeda, tapetes de musgos, aconchegam as árvores como se fossem mortalhas delicadas e macias num adeus estranhamente horizontal.


















quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um jardim para cuidar: Quer ganhar uma assinatura anual da Revista Jardin...

Um jardim para cuidar: Quer ganhar uma assinatura anual da Revista Jardin...: Queridos amigos, Tal como vos tinha dito anteriormente durante o mês de Março vou dirigir a Revista Jardins, fiquei muito contente com o ...


E eu que sendo colaboradora assídua desta revista não soube de nada.
o meu artigo de fevereiro é sobre a alfavaca-de-cobra (Parietaria sp)
Aqui fica um pequeno extrato e uma imagem.
O próximo será sobre os conchelos ou umbigos-de-Vénus (Umbilicus rupestris)


Constituintes e propriedades da Alfavaca ou Parietária

Muito rica em enxofre, nitrato de potássio, cálcio, pigmentos flavónicos, mucilagem e taninos.
Utiliza-se internamente em forma de infusão ou tisana para tratar infeções das vias urinárias, nefrites, pedra nos rins e na bexiga, acalmando a dor na passagem da urina e fortalecendo todo o aparelho urinário. É diurética e tem uma ação suavizante nos tecidos, alivia edemas e ajuda em casos de retenção de líquidos.
Muito eficaz em uso externo e interno no tratamento de hemorroidas.
Usa-se ainda para tratar infeções de Herpes zoster e estão a ser realizados estudos sobre a sua utilização no tratamento de outras doenças virais incluindo a sida dos gatos....


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Azevinho e gilbardeira amanhã na TV, sic "boa tarde"




Gilbardeira ou gilbarbeira (Ruscus aculeatus L) família das Liliáceas

Também conhecida por erva-dos- vasculhos, azevinho-menor ou pica-rato, esta planta pertence à família das Liliáceas.
Em Inglês é conhecida por butcher’s broom, pois era utilizada pelos carniceiros, nos talhos para limpar as bancadas de madeira.
É uma planta perene arbustiforme, vivaz, de caule verde, erecto, glabro (desprovido de pêlos), densamente provido de ramos foliáceos (cladódios) na extremidade com folha verde-escura, coriácea, alterna e com espinhos, flores esverdeadas (Setembro a Abril), muito pequenas que se desenvolvem na axila de uma pequena bráctea situada no centro dos cladódios (estes cladódios são muitas vezes confundidos com folhas mas na realidade são caules transformados), baga redonda vermelha, sabor adocicado e depois amargo.
O rizoma apresenta-se oblíquo e nodoso exalando um cheiro pouco intenso a terebintina.
Forma moitas espessas, frequentemente impenetráveis devido à rigidez dos seus ramos axilares, foliáceos e espinhosos.
É comum na zona Atlântica até à Europa Central e Meridional, Sudoeste Asiático, Norte de África, em Portugal cresce espontânea em quase todo o território em solos calcários e bosques até 700 m. Não é muito resistente ao frio intenso.
É no entanto uma espécie protegida devido ao corte abusivo de que tem sido vítima, sobretudo na época Natalícia, quando apresenta as suas bonitas bagas vermelhas e brilhantes, tão atraentes também para os pássaros.

História
Apesar de ser mais utilizada no fabrico artesanal de vassouras que se utilizam ainda muito em certas zonas do nosso país, a gilbardeira apresenta propriedades medicinais.
Era já muito usada na Antiguidade e conhecida do médico Grego Dioscórides no século I d. C. que a denominava de Ruscus e a utilizava como estimulante do aparelho urinário para tratar cálculos na bexiga, icterícia e dores de cabeça.

Componentes e propriedades
Hoje em dia utilizam-se principalmente os rizomas e as raízes, as bagas não são comestíveis nem têm interesse medicinal.
Contém saponósidos, flavonóides, óleos essenciais, resina, cálcio, potássio.
Os saponósidos são responsáveis pela eficaz acção venotónica, tão boa como o castanheiro-da-índia, os flavonóides têm uma acção diurética e protectora dos capilares.
Usa-se no tratamento de hemorróidas, varizes, pós-flebites, fragilidade capilar e outras insuficiências crónicas venosas, pode ainda ser usada nas inflamações pélvicas e no tratamento de problemas urinários por aumentar a diurese.
Utiliza-se ainda na preparação do xarope das cinco raízes, do qual fazem também parte a salsa, o funcho, o aipo e os espargos.
No jardim.
É plantada como planta ornamental e em sebes.
Precauções
Caso se ingiram acidentalmente as bagas, estas podem causar vómitos, diarreia e convulsões.
Quando usada para fins diuréticos é importante ter em conta a existência de hipertensão, cardiopatias ou insuficiência renal moderada ou grave.





O azevinho (Ilex aquifolium)

O azevinho não é das plantas mais utilizadas em fitoterapia, apesar de ser uma planta com algum interesse nesta área, não faz parte do léxico de plantas aconselhadas pelos fitoterapeutas ou naturopatas, mas chegou a ser utilizada para tratar a febre, como tónico, diurético,  no alívio de dores reumáticas, bronquite crónica e perda de apetite.
É uma planta de crescimento muito lento, de difícil propagação e que pode viver para além dos 300 anos.
 É protegida por lei desde o início de Dezembro de 1989 em Portugal (Decreto - Lei n.º 423/89 de 4 de Dezembro), devido principalmente à sobre colheita na época natalícia, o mesmo acontece com o ruscus e o próprio teixo tão cobiçado para a realização das coroas de Natal que se penduram nas portas nesta época festiva. A procura e corte do azevinho fêmea aumenta, pois é esta que possui as bagas vermelhas e não o macho. O azevinho encontra-se em vias de extinção, pois as pessoas, ao cortarem apenas o azevinho fêmea, deixam o azevinho macho sem fêmea para se reproduzir. É uma espécie dióica (plantas masculinas e femininas distintas). Os frutos aparecem só nas plantas femininas.