domingo, 10 de março de 2013

Na paisagem da Peninha com ervas medicinais


Afinal São Pedro gostou da bravura  dos caminhantes, a quem um céu cor de chumbo não assustou.
É verdade que choveu e muito até à hora de começar o passeio, mas depois os guarda-chuvas desempenharam a sua função secundária de bengala  e deram bastante jeito nas partes mais íngremes e pedregosas do caminho, ou seja quase todas...
Fomos acolhidos por um sabugueiro logo no inicio do nosso encontro e podiamo-nos ter ficado quase por ali, pelo estacionamento, pois abundava a morugem, agarra-saias, São Roberto, malvas, parietária...mas o topo da colina com vista para o mar e muitas outras plantas interessantes, esperava pelos nossos olhos atentos.
Calêndulas ladeavam a ladeira em salpiquinhos amarelos ainda gotejantes, pérolas brancas de cistus, aqui e acolá, violetas assomavam tímidas por entre a folhagem tentando perceber aquela invasão repentina de botas de borracha ameaçadoras.
Entre os penhascos brotavam delicados florzinhas roxas de grandes estames amarelos, eram os crócus.
Lírios mínusculos, silenes, rosmaninhos, quase, quase, quase em flor....
O azulão da erva-das-sete-sangrias ia pontuando a paisagem em comunhão com o céu e o mar.
Encontramos urtigas dioicas perto da fonte, colhemos algumas para o jantar e bebemos água de nascente.
Tivemos dúvidas, tiramos dúvidas,espreitamos a intimidade de muitas plantas, comemos muitas folhas e flores de mostarda, sentimos o frio do vento do norte, contemplamos o céu e o mar,  e alegramo-nos ao perceber que estávamos vivos e em harmonia com a força destes elementos.










sábado, 9 de março de 2013

Público - O mistério das plantas de Sintra

 Aqui fica o link para o artigo dos meus passeios em Sintra.
Com receita de sopa de urtigas e tudo. Amanhã há mais e o tempo estará bom pois como alguém me lembrou do ditado :"Março, marçagão, de manhã inverno e à tarde verão".
O passeio está marcado para as 15 na Peninha em Sintra, com muitas plantas para descobrir.
O próximo é dia 16 no mesmo horário e em local diferente, sempre partindo de Sintra e com possibilidades de partilha de transportes.

A chuva não nos assustou e por isso mesmo acabou por se ir embora, assim que o passeio começou.
Sou burro e sei muito de plantas, as urtigas....acho que prefiro cardos, ou malvas.
Malvas, cá estão elas! para tratar qualquer tipo de inflamação, eu sei muito bem disso, toca a comer malvas.


Camomilas, não estou com a vista inflamada nem as gengivas, nem me dói a barriga, nem estou com problemas de pele, portanto acho que me vou ficar só pelo cheiro.

Viva a biodiversidade!


Para quem ficou com dúvidas em relação ao número de pessoas, não se assustem pois o máximo são 20, para não corrermos riscos de pisar o que não devemos e estragar o que nos faz falta.

Público - O mistério das plantas de Sintra

sexta-feira, 8 de março de 2013

A MINHA SEMANA NAS ESCOLAS COM A "SALADA DE FLORES E AS"SEMENTES À SOLTA"










Esta semana  tem sido trabalhosa, cansativa, divertida, surpreendente e sobretudo extremamente gratificante.
Andar de escola em escola a falar de plantas e dos seus benefícios, dar a provar funcho que sabe a rebuçados da tosse, capuchinhas que são picantes, pétalas de calêndula que são excelentes para a horta.....abelhas, mel, pólen, néctar, joaninhas, poluição, pulgões, receitas com flores de sabugueiro ou bolo de chocolate que afinal é alfarroba.
As crianças e os professores ouvem com atenção a transbordar de perguntas que não conseguem conter.
No fim são os presentes dos trabalhos elaborados por eles e inspirados no meus livros. Emociono-me com a certeza de que o meu trabalho não é em vão e sinto que sementes saudáveis irão com certeza germinar no coração destas crianças.
Bem hajam.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Atelier de sementes e raízes

 

Onagra – perfume do entardecer


A onagra (Oenothera biennis), também conhecida por erva dos burros, é uma planta bienal, da família das Onoteráceas. Cresce espontânea nos prados, bermas de estrada, ribanceiras, etc. Floresce entre Maio e Setembro e chega a atingir 1,5m de altura. Dos botões avermelhados dispostos ao longo do caule erecto, vão surgindo ao anoitecer flores de um amarelo florescente que duram apenas de um a dois dias, para logo murcharem e darem o lugar a outras, de forma que a planta está sempre em flor. Estas flores emanam um doce e delicado perfume, e o seu pólen é transportado por abelhas e borboletas nocturnas
Originária da América do Norte, foi importada da Virgínia para a Europa (Pádua, Itália) em 1619. A partir de então difundiu-se por todo o continente europeu, ao qual se adaptou facilmente. A onagra é hoje cultivada comercialmente para a extracção do óleo das suas sementes.
O óleo de onagra é uma das substâncias mais ricas em ácidos gordos insanturados (ácido cislinoleico, e ácido cisgamalanoleico).

Propriedades

As cápsulas de óleo de onagra que pode comprar em qualquer ervanária, são muito úteis no combate a problemas relacionados com o síndrome pré-menstrual. É ainda útil em todo o tipo de problemas de pele, especialmente eczema. Faz baixar a tensão arterial e evita a agregação de plaquetas, protegendo de doenças coronárias. É ainda útil no combate ao excesso de peso, perturbações mentais, arterite, e desintoxicações de alcoólicos, regenerando o fígado e actuando como calmante e anti-depressivo.

A onagra, juntamente com o hipericão, é uma das plantas sobre a qual se têm feito mais estudos. Por exemplo: em 1981, no St. Thomas Hospital em Londres, foram tratadas 65 mulheres com síndrome pré-menstrual; 61% das mulheres tiveram alívio completo e 23% tiveram alívio parcial. Um outro estudo publicado na revista Lancelote comprova que as cápsulas de óleo de onagra administradas a crianças hiperactivas ajuda a acalmá-las. São ainda reconhecidos bons resultados em testes feitos a pacientes que sofrem de febre reumatóide.

As flores, folhas e casca do caule são sedativas e têm sido utilizadas no tratamento da tosse convulsa e asma, e ainda externamente em cataplasmas para aliviar dores reumáticas.

Culinária

As flores comestíveis e com sabor semelhante ao da alface servem para decorar saladas e pratos vários, depois de retirada a parte de dentro das sépalas. As folhas mais tenras e as raízes são também comestíveis, tendo estas um sabor semelhante à pastinaca, muito apreciada nos países nórdicos.

Receita – molho de pepino com onagra

-         Seis botões de flores de onagra;
-         2 iogurtes naturais sem açúcar ou 125g de queijo creme;
-         2 pepinos médios;
Onagra (Oenothera biennis)
Onagra (Oenothera biennis)
-         3 colheres de sopa de hortelã-pimenta picada
-         Pimenta
-         Sal
-         ½ limão

Ralar os pepinos descascados e espremer a água. Juntar os iogurtes ou o queijo, a hortelã e os botões de onagra, retirando a parte verde. Juntar sal, pimenta e sumo de ½ limão. Misturar tudo e decorar com flores frescas de onagra antes de servir.
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Foto
Reparem só nas raízes da onagra, sºao comestíveis, sabiam?
De facto têm um ar bem comestível, estas raízes e as folhas também.
E cá estão as cápsulas  contendo milhares de sementes de onde se extrai o famoso óleo de onagra.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Datas dos próximos cursos de plantas medicinais e aromáticas



2 de fevereiro Agrobio Quinta da Piedade Póvoa de Santa Iria------esgotado
10 de fevereiro Passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Sintra
16 de fevereiro Fundação Oriente Lisboa esgotado 
17 de fevereiro das 10 às 13 quinta dos 7 nomes Banzão/Sintra
17  de fevereiro, passeio e reconhecimento de plantas medicinais Cabo da Roca/Sintra das 15 às 18
23 de fevereiro Alcobaça Green Cork

1 de março   Mediterranean garden society

1 to 3 March - The Hapimag Albufeira Resort, Algarve
MGS Spring Conference ‘Friends and Foes in the Mediterranean Garden’
All are invited to join us at our second spring gathering. We shall be looking at alien invasive plants and plants from other mediterranean-climate zones, and shall be highlighting the global contribution of the vast wealth of plants available to us from the mediterranean flora. The aim is to make us think before we plant. 

3 de março  Associação Almargem Loulé





terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sol de inverno com oxalis

E enquanto o mês de janeiro vai chegando ao fim e a incandescência do amarelo-limão das oxalis vão iluminando os dias que se esticam pouco a pouco, eu vou imaginando no ar e na terra que a primavera está quase a chegar, que vem sorrateira, toda vestida de camomilas e calêndulas silvestres,  flores de malvas e borragens, papoilas e madressilvas.
Sai para fotografar as oxalis mais conhecidas por azedas, de sabor ácido que as crianças conhecem como azedas e que são um trevo e apresentam algum interesse como planta silvestre comestível, que deve ser usada com moderação devido ao ácido oxálico que a compõe.
A Oxalis pes-caprae L.ou azeda pertence à família das Oxalidaceas, é uma infestante, oriunda da África do sul mas tem pólen para as abelhas durante o Inverno, eu bem as ouvi zumbir enquanto as fotografava. 


Para mim representam dias de sol no meio do inverno e vou inclui-las na minha agenda 2014 sobre plantas silvestres comestíveis. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Seminário ECO-ESCOLAS


Enquanto conduzia para norte, debaixo de chuva, de Sintra para  Águeda, na quinta.feira, apenas cinco dias depois do grande temporal que destruiu  parte do património que me é mais querido: as minhas grandes irmãs ÁRVORES. Fui entristecendo enquanto o cenário de beira de estrada desfilava perante o meu olhar incrédulo.
Foi como deixar de acreditar no pai natal, perceber que afinal as árvores não morrem de pé.
Gigantes prostrados e indefesos, desenraizados, imóveis, consumidos pelo peso de um silêncio escuro e tristonho, de quem sabe, que ao seu redor várias outras espécies arbóreas foram também fustigadas pela fúria impiedosa do vento. Caladas para sempre, largadas abruptamente a um novo ciclo que será terra, musgo, fogo, fumo ou água, quem sabe... Árvores não serão nunca mais. Ou talvez sim, talvez tenham deixado descendência. Pousadas, aguardando nova vida as sementes esperam o tempo certo para recomeçarem um novo ciclo de 300, 400 ou 500 anos.
O certo é que por muito que racionalmente entenda os ciclos da vida, ver tanta árvore monumental derrubada no chão,  aperta o coração e, no meu caso, confrontou-me com a realidade vulnerável, frágil e efémera de todas as raízes incluindo as minhas.

No parque de Alta Vila em Águeda, tapetes de musgos, aconchegam as árvores como se fossem mortalhas delicadas e macias num adeus estranhamente horizontal.