domingo, 16 de abril de 2017

Páscoa no jardim. O jardim dentro de mim.

"A glícinia todos os dias me cumprimenta em vaidosa exuberância achando-se com alguma razão a senhora do jardim com vista privilegiada para dentro da cozinha.
Já ao sair da porta o jasmim chama por mim saturando por vezes as papilas olfactivas.
O Sabugueiro este ano presentou-me com uma quantidade e qualidade de flores que nunca antes tinha visto: grandes, bonitas e sem pulgões. A angélica apesar de ser bianual baralhou-se um pouco com as datas e voltou pelo segundo ano consecutivo em grande e perfumada floração.
Depois são capuchinhas, malvas, ameixeiras, gingeiras, macieiras, boldo, tomilho, alecrim, alfazemas, salvas, tudo em flor numa verdadeira celebração, comemorando os momentos de escassa chuva."


Isto escrevi eu à exatamente cinco anos. Obrigada Facebook por me lembrar.



flor de marmeleiro
flor de abutilon




Hoje escreveria a mesma coisa com algumas diferenças:
Já não chove à mais de um mês e por isso mesmo o jardim está todo ele com sintomas de primavera a achar que é verão.
O jasmim já farto de tanta flor vai perdendo alguns ramos floridos devagarinho.



A artemísia, que à 5 anos não existia aqui veio plantar-se na frente da minha cozinha a achar que é árvore e que me protege e eu deixo e agradeço mas volta e meia preciso de lhe cortar os ramos e fazer "Smudge sticks" ou seja charutos para queimar e limpar ambientes.

Artemisia canariensis

Ervilhas-de-cheiro perfumando budas e dinossauros

Enquanto lavo a loiça.
A janela que espreita o jardim ou vice-versa.
Tenho o mau hábito de atirar os caroços de abacateiro para o jardim e não é que germinam todos!
Vou oferecendo aos amigos e transplantando para outros sítios.
No entanto houve um que deixei ficar e que agora está mais alto do que o sabugueiro que cresce ao lado e que não acha muita graça a esta vizinhança tropical de crescimento tão acelerado. Oxalá este ano já vá ter abacates.

Em frente à porta da sala uma nova pérgula muito bonita de inspiração japonesa e muito bem feita pelo meu amigo Ruka. Um maracujá num vaso grande que irá crescer e embrenhar-se na sua nova casa.

A glicínia está em flor há 2 semanas e está gigante e imponente competindo em aroma com o jasmim e outras de flor branca cujo nome não me lembro mas o seu perfume lembra o cheiro adocicado do pitosporo. Uma glicinia de flor branca espera um arco na entrada do jardim.


glicínia em flor

Depois são os gerânios todos perfumados num delírio em tons de rosa que as abelhas adoram e as capuchinhas também com flores, folhas e sementes ao mesmo tempo. Recolho as sementes e faço picles.
Geranios ou Pelargonio graveolens

Este verão vou ter framboesas a julgar pela quantidade de flores que por aí andam à solta emaranhadas no lúpulo que também já vai espreitando depois da sua curta dormência de algo que nem chegou a ser inverno.
Alfzema, alecrim, tomilhos em flor, salvias, gengibre, marmeleiro, macieira, figueira, gingeira e o araçá carregadinho de frutos. A Pitanga crescendo devagarinho, a romanzeira em tons carmezim e com algumas flores, pode ser que este ano tenha romãs.

folha de aveleira

Pitangueira

folha de hamamélia

Roseiras bem cheirosas, hamamélia, tilia, aveleira, noveleiro em bonitas bolas lembrando hortensias brancas de cabeça para baixo.

Noveleiro

quarta-feira, 29 de março de 2017

BOTÂNICA E COSMÉTICA.

Sabia que a maioria dos desodorizantes e grande parte dos nossos produtos de higiene pessoal está carregado de produtos prejudiciais à nossa saúde.

Venha descobrir todas as maravilhas que pode fazer com a esteva Cistus ladanifer

Aprenda a fazer um elixir bocal, um desodorizante e um repelente de mosquitos passando uma tarde simpática entre plantas e pessoas no Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota.
Levarei o meu último livro para venda, caso alguém esteja interessado.






quarta-feira, 15 de março de 2017

Próximos eventos de PLANTAS MEDICINAIS, PASSEIOS, WORKSHOPS E LANÇAMENTO DE LIVROS. ALMADA, COLARES, COIMBRA E BATALHA

Alô papás e filhos tragam-se uns aos outros a um inesquecível passeio entre plantas, vamos prová-las, cheirá-las e descobrir para que servem. Iremos espreitar cavalinhas e camomilas, chagas e urtigas, passifloras e muitos outros segredos. É Já no próximo domingo em Colares.







Antes disso no sábado dia 18 poderão juntar-se a nós no belíssimo espaço da casa da cerca em Almada.



 E em Coimbra no dia no dia 21 será o lançamento deste projeto a três mãos apresentado pelo professor Jorge Paiva.


Aljubarrota será no dia 1 de Abril.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PORQUE HOJE É DIA DE REIS AQUI VOS DEIXO UMA FRUTA RAINHA-

O seu nome científico deriva do latim Malum granatum que significa maçã de muitas sementes. À árvore pode dar-se o nome de romeira ou romanzeira. Existe a teoria baseada em textos antigos de que a maçã do paraíso não seria maçã nenhuma mas sim uma bela, dourada, suculenta e tentadora romã carregada de todo o seu simbolismo associado à fertilidade.
Na arte cristã, judaica e islâmica a romã simboliza a unidade e a vida eterna.
Na mitologia grega aparece também associada à morte mas também à ideia de fertilidade e imortalidade, nos textos do velho testamento é muito citada, aparecendo aqui ligada aos rituais de agricultura e colheitas abundantes.
Era já conhecida dos médicos e botânicos da antiguidade que a consideravam excelente medicina. Hipócrates e Dioscórides conheciam as propriedades das suas sementes como anticoncetivo e diz-se que a terão recomendado para tal fim, na China é considerada um remédio utilizado há milhares de anos para combater a diarreia, vermes intestinais e hemorragias internas, nos mercados da Índia podem adquirir-se as sementes secas para utilizar na culinária, a romã era conhecida dos antigos egípcios que a utilizavam no fabrico de um vinho leve.


Recentemente tem sido alvo de muitos estudos onde se tornou popular nos mercados ingleses e americanos devido principalmente às suas propriedades antioxidantes e anticancerígenas.


Prefere solos ligeiramente calcários e bem drenados e zonas semiáridas, é uma árvore bastante resistente, conseguindo sobreviver em condições sob as quais a maior parte das árvores não resiste, consegue mesmo sobreviver em temperaturas que podem ir até aos 10º negativos, os principais produtores de romã são o Irão, Israel, Líbano, Egipto, Tunísia e Itália.


Utiliza-se a polpa do fruto mas também a casca, as flores não abertas e ainda a raiz.


O fruto é rico em vitaminas A, B, C e E, contém magnésio, sódio, potássio.


Um copo de sumo de romã por dia ajuda a combater alguns tipos de cancro como o da próstata, do cólon e da mama, os antioxidantes existentes no fruto restauram as células doentes e matam as cancerígenas, tanto a casca do tronco como do fruto ou a raiz são remédios específicos contra os parasitas intestinais como as infestações de ténias, a sua ação fortemente adstringente e os alcalóides ajudam os vermes a soltar-se das paredes intestinais, devendo depois no entanto tomar-se um chá com ação vermífuga e laxante como a Artemísia ou a hortelã para que os vermes sejam expulsos do organismo, este tipo de tratamento deve no entanto ser acompanhado por um profissional. Uma infusão das flores fechadas pode ser utilizada em casos de diarreia ou inflamações da garganta em forma de gargarejos que também são eficazes quando efetuados a partir de uma decocção feita com a casca do fruto. O sumo da fruta é ainda utilizado para combater a flatulência, a parte mais terapêutica no combate às ténias é a casca da raiz das árvores com mais de oito anos.



 Na Turquia utiliza-se a romã na confeção de pratos de carne de borrego, utiliza-se ainda para temperar saladas e na confeção de sobremesas, no Médio Oriente costuma misturar-se com o abacate, é também muito utilizada na Grécia no fabrico de licores e gelados, entre nós existem já no mercado iogurtes com romã mas ainda não estão comercializados, que eu saiba os sumos tão populares nos outros países do norte da Europa, o conhecido licor de grenadina muito popular entre os franceses é feito com a polpa da romã.



A romãzeira é uma belíssima árvore que se adapta bem a pequenos jardins, raramente ultrapassando os seis metros de altura, tem ramos esguios terminados em espinhos, folhas lanceoladas e flores escarlates em forma de coroa que se desenvolvem nas extremidades dos ramoso fruto de casca dura varia em tons de escarlate e dourado que em anos mais abundantes fazem pender os ramos com o seu peso, a romãzeira propaga-se facilmente por cortes feitos durante o seu período de dormência, a meio do Inverno, depois da bela folhagem dourada ter caído, pegam muito depressa e desenvolvem-se rapidamente.
 
A polpa da romã pode ser utilizada para tingir tecidos.