sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

PORQUE HOJE É DIA DE REIS AQUI VOS DEIXO UMA FRUTA RAINHA-

O seu nome científico deriva do latim Malum granatum que significa maçã de muitas sementes. À árvore pode dar-se o nome de romeira ou romanzeira. Existe a teoria baseada em textos antigos de que a maçã do paraíso não seria maçã nenhuma mas sim uma bela, dourada, suculenta e tentadora romã carregada de todo o seu simbolismo associado à fertilidade.
Na arte cristã, judaica e islâmica a romã simboliza a unidade e a vida eterna.
Na mitologia grega aparece também associada à morte mas também à ideia de fertilidade e imortalidade, nos textos do velho testamento é muito citada, aparecendo aqui ligada aos rituais de agricultura e colheitas abundantes.
Era já conhecida dos médicos e botânicos da antiguidade que a consideravam excelente medicina. Hipócrates e Dioscórides conheciam as propriedades das suas sementes como anticoncetivo e diz-se que a terão recomendado para tal fim, na China é considerada um remédio utilizado há milhares de anos para combater a diarreia, vermes intestinais e hemorragias internas, nos mercados da Índia podem adquirir-se as sementes secas para utilizar na culinária, a romã era conhecida dos antigos egípcios que a utilizavam no fabrico de um vinho leve.


Recentemente tem sido alvo de muitos estudos onde se tornou popular nos mercados ingleses e americanos devido principalmente às suas propriedades antioxidantes e anticancerígenas.


Prefere solos ligeiramente calcários e bem drenados e zonas semiáridas, é uma árvore bastante resistente, conseguindo sobreviver em condições sob as quais a maior parte das árvores não resiste, consegue mesmo sobreviver em temperaturas que podem ir até aos 10º negativos, os principais produtores de romã são o Irão, Israel, Líbano, Egipto, Tunísia e Itália.


Utiliza-se a polpa do fruto mas também a casca, as flores não abertas e ainda a raiz.


O fruto é rico em vitaminas A, B, C e E, contém magnésio, sódio, potássio.


Um copo de sumo de romã por dia ajuda a combater alguns tipos de cancro como o da próstata, do cólon e da mama, os antioxidantes existentes no fruto restauram as células doentes e matam as cancerígenas, tanto a casca do tronco como do fruto ou a raiz são remédios específicos contra os parasitas intestinais como as infestações de ténias, a sua ação fortemente adstringente e os alcalóides ajudam os vermes a soltar-se das paredes intestinais, devendo depois no entanto tomar-se um chá com ação vermífuga e laxante como a Artemísia ou a hortelã para que os vermes sejam expulsos do organismo, este tipo de tratamento deve no entanto ser acompanhado por um profissional. Uma infusão das flores fechadas pode ser utilizada em casos de diarreia ou inflamações da garganta em forma de gargarejos que também são eficazes quando efetuados a partir de uma decocção feita com a casca do fruto. O sumo da fruta é ainda utilizado para combater a flatulência, a parte mais terapêutica no combate às ténias é a casca da raiz das árvores com mais de oito anos.



 Na Turquia utiliza-se a romã na confeção de pratos de carne de borrego, utiliza-se ainda para temperar saladas e na confeção de sobremesas, no Médio Oriente costuma misturar-se com o abacate, é também muito utilizada na Grécia no fabrico de licores e gelados, entre nós existem já no mercado iogurtes com romã mas ainda não estão comercializados, que eu saiba os sumos tão populares nos outros países do norte da Europa, o conhecido licor de grenadina muito popular entre os franceses é feito com a polpa da romã.



A romãzeira é uma belíssima árvore que se adapta bem a pequenos jardins, raramente ultrapassando os seis metros de altura, tem ramos esguios terminados em espinhos, folhas lanceoladas e flores escarlates em forma de coroa que se desenvolvem nas extremidades dos ramoso fruto de casca dura varia em tons de escarlate e dourado que em anos mais abundantes fazem pender os ramos com o seu peso, a romãzeira propaga-se facilmente por cortes feitos durante o seu período de dormência, a meio do Inverno, depois da bela folhagem dourada ter caído, pegam muito depressa e desenvolvem-se rapidamente.
 
A polpa da romã pode ser utilizada para tingir tecidos.






quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Sobre o óleo essencial de alecrim que ajudei a produzir.




Este é um artigo que escrevi na revista jardins e que aqui partilho convosco. Espero que gostem.


Alecrim aos molhos
Depois de uma visita à herdade de Vale Covo nunca mais voltarei a olhar para um óleo essencial, sobretudo de alecrim com os mesmos olhos.
Acompanhada pela Patrícia Pedrosa e pela Ana Loutsenko com a missão de irmos realizar um pequeno documentário sobre todo o processo de extração de óleos essenciais realizados pelo François Goris em pleno Alentejo, com o Guadiana serpenteando lá ao fundo entre penhascos e estevas.

A paisagem, no mês de julho, é árida, muito árida, o fim de tarde cheira a alecrim, a tomilho, a erva-do-caril, a funcho e a esteva como não podia deixar de ser. O som incansável das cigarras diz-nos que está calor, muito calor.

Chegamos de véspera ao fim do dia, de uma viagem de 300 quilómetros . Depois de uma amigável conversa com o François, um banho na piscina ao por-do-sol e um jantar ligeiro, fomos dormir cedo que o dia seguinte se adivinharia longo, muito longo: às 7 da manhã começava o corte do alecrim, que por volta das 11 teria de estar dentro das cubas pronto a ser destilado.


As matas de alecrim, todas plantadas pelo François encontravam-se no outro lado do vale. Montamos na pick-up, camaras de filmar, microfones e vontade de trabalhar.   Trator cheio, e lá vai ele, e lá vamos nós atrás até ao topo da outra colina onde se encontra a destilaria com dois grandes alambiques à nossa espera.




Às 11, 30 tinha de estar tudo cortado. Foi um ver se te avias, leira a leira fomos cortando à foice o alecrim que depois íamos transportando em grandes feixes até ao trator, onde se iam empilhando bem acamados,para caber muito.
 
E agora, toca a descarregar o trator em grandes braçadas que iam preenchendo um dos alambiques até este estar completamente cheio e bem comprido.   Com a ajuda de uma roldana coloca-se uma espécie de tampa compressora bem apertada sobre a qual se coloca a tampa final em forma de chapéu exótico com um tubo que irá depois ligar-se a outro recipiente onde se encontra a serpentina de arrefecimento do vapor que irá sair por esse tubo.
 Na serpentina irá acontecer a condensação do vapor resultante do processo de aquecimento do alecrim. Aquecimento? Pois, enquanto nós íamos preenchendo com plantas o interior do alambique o François ocupou-se do fogo.
Ao meio dia começou a destilação do primeiro alambique e às duas da tarde, de uma pequena torneira ligada á serpentina saía o precioso hidrolato de alecrim, em cuja superfície se vislumbrava uma pelicula de óleo essencial que teria de ser decantado; água para um lado (hidrolato) e óleo para outro. Ou seja ao fim de 7 horas de trabalho conseguimos 1, 5 de óleo essencial que depois de um mês ou dois de pousio  será colocado em pequenos frasquinhos de 10ml e vendidos no mercado ao módico preço de 8€ no caso do alecrim.

O preço dos óleos varia de planta para planta.

Diria que o seu ex-libris é o óleo essencial de esteva, grande parte é exportado para a industria francesa onde é muito apreciado sobretudo como fixador de aromas. Confesso que o meu favorito é o alecrim, e agora que o ajudei  a dar à luz, fiquei ainda mais fã destes delicados frasquinhos que trago sempre na mala para as mais diversas aplicações.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Especiarias e Ervas aromáticas na "A Praça" Na RT 1


 http://www.rtp.pt/play/p2778/e257275/a-praca

 No Próximo dia 23, quarta-feira irei falar mais especificamente sobre as minhas agendas de plantas medicinais, focando-me na de 2017, cujas imagens aqui vos deixo para abrir o apetite.








quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A incontornável beleza do GERÊS em qualquer mês mas particularmente no OUTONO

 É para aqui que irei fazer um passeio, palestra, workshop e muitas fotos outonais.
Junta-se a nós neste cenário tão mas tão relaxante.










https://www.facebook.com/CasadoEido/?fref=ts

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

URTIGAS e alguns dos seus interesses terapêuticos cientificamente comprovados

https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/28167/1/DM%20Ana%20Rita%20Carvalho.pdf



História
A descoberta das propriedades medicinais da urtiga remonta à Antiguidade e, desde então, grandes estudiosos do universo das plantas, como Plínio, o Velho, Dioscórides ou Santa Hildegarda, deixaram-nos importantes informações sobre os usos, virtudes e benefícios desta espécie magnífica, de cuja confraria me orgulho de ser membro. O seu nome, segundo se crê, ter-lhe-á sido dado pelo próprio Plínio e deriva do verbo latino urere, que significa «queimar».
Além das suas potencialidades terapêuticas, a Urtica teve sempre diversas aplicações práticas. Quando invadiram o Norte da Europa, os soldados romanos, por exemplo, fustigavam-se com a planta para assim estimular a circulação e manter o corpo aquecido. Mais tarde, na Polónia, entre os séculos XII e XVIII, confecionava-se vestuário a partir das urtigas, que viriam a ser substituídas pela seda. Na Escócia, eram os lençóis e as toalhas de mesa que se fabricavam com a fibra da Urtica, considerada altamente resistente. E, durante a Primeira Guerra Mundial, essa mesma fibra foi usada para fazer fardas militares.









domingo, 14 de agosto de 2016

Future of Food: Eat Like it Matters - by Satish Kumar

Tantas verdades juntas e tantos ensinamentos essenciais, Oiçam com atenção e fiquem atentos pois este grande senhor virá a Portugal no fim de abril de 2017, darei informações brevemente. Enquanto esperam vão ouvindo os seus vídeos.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Flores comestiveis no Barreiro

 Quer saber a que sabem as flores de capuchinha, as pétalas de rosa ou as folhas de gerânio?
Junte-se a nós neste workshop que promete por à prova as nossas papilas gustativas com sabores novos, refrescantes e bem aromáticos.



Esta foto de fazer crescer água na boca foi retirada da página da graça Saraiva.

https://www.facebook.com/Cea-Barreiro-450539941797966/?fref=ts


Este gelado maravilhoso e estas bebidas deliciosas constam do livro "Cooking with flowers" da Jekka McVikkar



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Músicas do mundo e ervas medicinais

E que tal misturar ervas medicinais com músicas do mundo?, a mim parece-me uma boa mistura.
Para quem estiver a caminho de Sines, terá uma boa oportunidade no domingo de manhã de descobrir as ervas da região, ali por perto em local bem bonito. Apareçam.





segunda-feira, 4 de julho de 2016

RTP 1 AGORA NÓS CONVERSANDO SOBRE PLANTAS UTEIS PARA TOMARMOS NO VERÃO



Com a chegada das férias, dias mais quentes, viagens, idas ao campo, à  praia e á pisciana.
Com o verão surgem também uma série de patologias próprias da época como as queimaduras solares, as picadas de mosquitos, o pé-de-atleta, as infeções urinárias, as pernas inchadas e a retenção de líquidos, o excesso de peso e o jet leg.
Começarei então com chá verde para queimar gorduras e ajudar a perder uns quilos, o gengibre e o piri-piri e a casca da laranja amarga, pelas suas propriedades termogénicas. Para tratar a celulite funciona bem o óleo de massagem de Zimbro, o ananás, a papaia e a rainha- dos-prados.
A Infusão de folha de alcachofra e de funcho funcionam bem como drenantes e desintoxicante do fígado uteis em dietas de emagrecimento.
Contra a retenção de líquidos temos o aipo e o freixo, a bétula e o dente-de-leão e a cavalinha
Para as pernas pesadas temos a folha de videira e o castanheiro-da-india
Para o jet leg, óleo essencial de alecrim.
Para as queimaduras solares o aloé-vera e a alfazema
Para as picadas de mosquito e alforrecas óleo essencial de alfazema.
Para o pé-de-atleta melaleuca, tomilho e cavalinha.
Para as infeções urinárias Uva-ursina, urze, pés de cereja, arando vermelho, mirtilo e dente-de-leão.
Para o excesso de transpiração o melhor remédio é a salva




SALVA
MALAGUETA 

ZIMBRO