domingo, 14 de Setembro de 2014

Nem só de plantas me nutro.

Não há  fim nem príncipio, apenas eternos ciclos de retorno.
Ter uma existência relativamente sedentária num lugar que convida todos os dias à contemplação faz-me sentir na pele estes ciclos de luz e de estações mais ou menos giratórias que vou vivendo entre o mar e a serra, últimamente mais perto do mar, absorvendo a clareza da luz límpida das manhãs,








nutrindo o corpo e a alma e armazenando energias para o dias que se aproximam, curtos e sem luz.

terça-feira, 12 de Agosto de 2014

Agenda 2015 "Hortas e jardins medicinais" Passatempo

Nas afinações finais, a minha agenda 2015 "Hortas e jardins medicinais" promete ter a capa mais bonita dos últimos seis anos.

Espreitam lá e não me venham dizer que estas papoilas estão muito clarinhas, pois não são papoilas, e a primeira pessoa a adivinhar o que são, ganhará uma agenda autografada.


 SINOPSE DA AGENDA 2015



Cada vez mais, as pessoas procuram refugiar-se entre plantas, o verde apazigua-nos a alma. Os jardins convidam à quietude e à contemplação. Cultivar uma horta, quer seja numa varanda, num terraço, num canteiro público ou no nosso próprio quintal tem ganho cada vez mais adeptos.
Foi nesse sentido que escolhi as 53 plantas que constam desta agenda. Quase todas são plantas do meu quintal, muitas são hortícolas como as couves, os rabanetes, beterraba, batata-doce, feijão, fava, cenoura, etc. com conselhos sobre cultivo, consociações, utilizações terapêuticas e culinárias. Inclui como não podia deixar de ser as aromáticas como o hissopo, a manjerona, o manjericão e até especiarias como a curcuma e o piripiri.
Algumas são plantas que servem para atrair borboletas e abelhas como é o caso da budleia, das dálias ou dos cosmos, outras escolhi-as pelo seu perfume e beleza como a brugmansia.
Espero mais uma vez que esta agenda/livro seja uma ferramenta útil e prática convidando-vos a uma comunhão mais profunda com o verde que nos rodeia.




domingo, 3 de Agosto de 2014

Viajando dentro e fora de mim, entre veleiros e jardins.


A vida desliza veloz, o tempo elastifica-se e desde a última vez que escrevi aconteceram tantas coisas dentro e fora de mim, em volta do meu jardim ao redor das viagens que fiz e vou fazendo entre a Madeira e  os Açores que adoro, Inglaterra que me acolhe sempre com os jardins botânicos cheios de presentes e surpresas como se fossem só para mim, e a Arrábida que vou descobrindo pelas mãos e coração de quem  conhece melhor do que eu aquela mágica serra do sol de onde aliás se pode vislumbrar Sintra a "minha" serra da lua.

Em junho voltei ao Faial para uma paresentação dos meus livros infantis e para mais alguns workshops no jardim botânico https://www.google.pt/search?q=jardim+botânico+do+Faial.

Durante o dia passeava-me pela marina e não fiz mais nada durante toda a semana do que alimentar-se de histórias de velejadores que iam chegando das suas viagens transatlânticas. Como numa espécie de transe andava flutuando entre passado e presente, revivendo intensamente a minha experiência como velejadora nos anos 80 ou seja já lá vão 30 anos.





Regressei ainda meio atordoada por tantos relatos e tantos encontros com verdadeiros viajantes/aventureiros e muitas fotos por editar. Mudar de vida????quem sabe??? e as plantas????no mar não há jardins como me disse algúém no Fb, claro que há jardins no mar e lindos que eles são e não precisam de ser regados.

Assim que cheguei, tive apenas tempo de trocar de malas e 3 dias depois já estava no avião para Inglaterra, ainda com toda a semana faialense por digerir. Em Inglatera foi a bela surpresa de Kew gardens https://www.google.pt/search?q=kew+gardens ter escolhido as Healing plants como tema do ano, uau!!!!deslumbramento, aprendizagem, milhares de fotos e de apontamentos.






Physic gardens https://www.google.pt/search?q=physic+gardens sempre a inovar com novas formas de nos ensinar mais sobre o fantástico mundo das plantas medicinais.




Depois foi o Herbfest  https://www.facebook.com/herbfestuk e os fantásticos palestrantes e o reencontro com o meu primeiro professor de herbal medicina o Christopher Hedley, já lá vão mais de 20 anos ou seja logo a seguir á minha aventura marítima que durou 2 anos e meio.



Agora de volta a casa com alguns passeios na fantástica serra da Arrábida, entre barcos e grutas a vida corre veloz e o tempo que sobra vai para as afinações da agenda 2015 "Hortas e jardins medicinais" que está nas bancas não tarda nada.




O meu jardim, entretanto ficou quase totalmente em auto-gestão, surpreendendo-me este ano, particularmente o Anho-casto com uma enorme quantidade de flores e por consequeência de abelhas também.



domingo, 8 de Junho de 2014

O cheiro do jasmim

Cheira a jasmim no meu jardim,
São estrelas de veludo deslizando nas manhãs frescas.
Respiro e depois acordo.
Tudo é perfume
e zumbido de abelhas.






sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Fico feliz quando chove no verão

Fico feliz quando chove no verão, assim não preciso de regar o jardim com água da rede cheia de cloro, as plantas preferem de longe água dos céus, e eu também.

Até porque estes dias cinzentos e molhados convidam a ficar em casa, coisa que tenho feito pouco nos últimos meses.

Ficar em casa é sentar-me em frente ao écran do computador e selecionar fotos para a capa da agenda 2015 que está quase, quase aí. Gosto de ver desfilar diante de mim a infinidade de fotos de flores que tenho feito ao longo dos anos de visitas a vários jardins botânicos e ao meu próprio jardim que não me canso de comtemplar, aceitar e celebrar toda a sua selvagem diversidade.




Hoje entre dois intervalos de chuva estive na escola de Bolembre, muito perto da minha casa, levei comigo um pedaço do jardim dentro dum cesto também ele tecido de plantas, e trazido da Finlândia, país onde no verão quase não existe  noite e por isso as horas de sono são muito curtas também. Acho que essa foi a parte que menos gostei desse país de mil lagos e bosques iluminados pelo branco lìmpido dos troncos de bétulas.


Na escola partilho essas vivências de viagens com as crianças de olhos cintilantes por talvez voltarem a acreditar que afinal o pai Natal possa existir e também dias sem noites e noites sem dias, se isso é possível então também as fadas, os duendes e até o pai Natal pois claro. As renas, sei que existem pois por todos os lados nas autoestradas aparecem tabuletas avisando da possibilidade de nos cruzarmos com elas.

Mas voltando ao meu trabalho nas escolas:

O que na verdade levo dentro do meu cesto são histórias de plantas, jardins, quintais, hortas, pirilampos, deslumbres, histórias de joaninhas e minhocas, plantas que afastam mosquitos e outras que tratam pessoas, rosas que se comem e queijinhos de malvas que parecem abóborinhas miniaturas e que, bem mastigadinhas tratam as aftas.
 

Pequenas sementes de viagens e paixões botânicas que vou vendo germinar, crescer, florescer e muitas vezes dar frutos.

Quando o nosso trabalho é verdadeiro, coerente e feito com consciência e entusiamo, os frutos serão sempre soculentos e abundantes como a vida que nos sustem e a quem nunca me canso de agradecer.


terça-feira, 27 de Maio de 2014

dançando com a primavera entre plantas e ilhas

De passeio em passeio vou deixando acumular notícias e fotos que gostaria muito de ir partilhando neste espaço. Mas como o tempo nem sempre tem a elasticidade que eu gostaria, essa partilha não tem sido possível.












Em maio foi a fantástica viagem botânica á nossa pérola atlântica chamada Madeira na companhia de um grupo de franceses amantes da botânica, aprendi muito com todos graças à Susana Fontinha que muito admiro como bióloga e como ser humano generoso e otimista. Sinto que ganhei uma amiga que vou guardar num lugarzinho muito especial do meu coração.

A Carla Andreia e a Elizabete do Jardim e plantas aromáticas do Funchal com a sua delicadeza e hospitalidade também foram incansáveis, proporcionando-me umas vivências muito especiais entre jardins madeirenses na compnahia do raimundo quintal, também ele outro conhecedor e entusiasta do mundo das plantas.

Regressada da Madeira entrei na roda viva dos passeios em Sintra, na Arrábida, workshop de especiarias no Museu do Oriente, jornadas da Oikos sobre boas práticas agrícolas e saúde, em Leiria, dia aberto na quinta do Arneiro....Tudo isto intercalado com periodos de escrita para terminar a agenda 2015 que está QUASE. quanto às 53 plantas escolhidas irei revelandoa qui alguns detalhes.
Depois de manahã parto para Mértola para o encontro de ervas e chás do Mundo, para longe do mundo na Amendoeira da Serra, pena que coincida com a data da Terra Sã.

sábado, 26 de Abril de 2014

As paisagens que me rodeiam. Passeios à descoberta de segredos guardados nas plantas.




O tempo veloz faz-se notar no meu quintal, é ele quem me guia na roda das estações ao longo do ano.
Giram rápido, a uma velocidade que se reflete bem no crescimento acelarado das plantas que me rodeiam.

Na passada sexta-feira Santa celebrei o sagrado desta festa, seja de um ponto de vista cristão ou pagão, comemora-se a vida e o renascimento. E foi isso que fizemos lá para as bandas do Guincho sempre com a Serra de Sintra como pano de fundo, pontuando o azul do horizonte.
Entre serra e mar, num belo dia de sol e sem vento, uma raridade naquela região, fomos-nos deslumbrando com a delicadeza e inteligência das orquideas que se vestem de abelhas e libertam ferromonas para atrair os polinizadores, encontramos uma enorme diversidade de flora conhecida e desconhecida, deixo aqui algumas das fotos e a sugestão de consultarem o fantástico site www.flora-on.pt para mais seguramnete identificarem algumas das espécies.




 











 Durante a semana e aentre visitas a escolas ainda tive tempo de dar um salto ás maravilhas florísticas da Serra da Arrábida e identificar algumas espécies com o objetivo de delinear o percurso do passeio que irei realizar no Convento da Arrábida no dia 24 de maio.








Tive a preciosa ajuda do melhor livros sobre plantas da Arrábida, com fotos fabulosas do Francisco Luís Rasteiro.






 A sexta-feira do 25 de abril celebrei-a na www.herdadedofreixodomeio.com. Aí também foram muitas as espécies encontradas: São-roberto para problemas do fígado, malvas para aliviar todo o tipo de inflamações da pele e outras, internas e externas, usam-se as flores, folhas, sementes, (os chamados queijinhos) excelentes para tratar aftas. Silvas (Rubus fruticosa) para combater a diarreia, Galium aparine para pés e mão inchados, um excelente drenante linfático conhecido por agarra-saias ou amor-do-hortelão,  funcho contra as cólicas dos bébes e também dos adultos, etc.
Os muitos participantes do passeio estavam interessados e atentos, surpresos com algumas das descobertas que iam fazendo.



As festas na Herdade do Freixo são sempre excelentes e o Alfredo Sendim está mais uma vez de parabéns pela forma tão calorosa e organizada como recebe toda a gente.


Enquanto ando por ai saltitando entre jardins, 
quintais e herdades na descoberta e partilha deste reino vegetal que me fascina, o reino para lá da janela da minha cozinha vais ficando deslumbrantemente selvagem, colorido, exuberante e cheio de surpresas todos os dias, sobretudo depois da chuva, que, hoje 26 de abril voltou a saciar a sede do meu jardim que não tenho tido tempo para regar. No entanto fiz um pacto com as nuvens que se têm portado muito bem, espero que assim continuem nos 10 dias que irei estar na Madeira, entre 3 e 13 de maio.