sábado, 1 de setembro de 2012

Sobre bosques de bétulas em latitudes árticas

Saltitando a escrita entre luas-cheias, cá estou eu de novo na segunda lua-cheia de agosto, a poderosa lua azul.
A elasticidade e relatividade do tempo continua sempre a deixar-me meia eufórica e embasbacada.
Já fui à Finlândia e voltei. Vivi e senti latitudes para mim muito novas, com todas as surpresas humanas e vegetais que isso implica.
Os bosques de bétulas com que tanto sonhava ficaram bem pegadinhos à pele, bem aninhados na memória visual e emocional.
Não sei se faço justiça às outras experiências de passeios no bosque, dizer que a luminosidade, a textura, o simbolismo das bétulas me enfeitiçaram e me encantaram para além de qualquer outra vivência em latitudes nórdicas.






As paragens repentinas na beira dos caminhos para me adentrar nos bosques à procura de mirtilos, que se revelavam sempre estar acompanhados de framboesas,e morangos silvestres (não se pode voltar a ser a mesma pessoa depois de se ter saboreada a delicadeza do sabor de um morango silvestre recém colhido).
Encontrei também "lingonberries" que segundo os meus amigos botânicos se chamam bagas de urso, deve ser por essas amáveis criaturas escolherem estas bagas entre tantas outras, de fato o seu sabor não tem a delicadeza das framboesas, morangos ou mirtilos.







Na terra dos "berries" e das bétulas.







Groselhas vermelhas e pretas também abundavam por essas paragens de musgos velhos e esponjosos, onde os pés descalços se enterram em massagens de frescura antiga, e se perfumam com os odores da terra.
Fiquei decididamente cativa daqueles bosques que escondem lagos de águas onde se espelham árvores e nuvens, onde me banhei ao som do Deus Thor das trovoadas auspiciosas.
Fiquei a saber que a árvore nacional não é a bétula (em português é mais conhecida por vidoeiro) mas sim os  belíssimos sorbus que entre nós têm o nome de sorbeiro ou tramazeira.
O jardim botânico de Helsínquia também deixou uma excelente marca e fiquei com vontade de voltar.