quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O outono das aranhas




Elas povoam-me o quintal mal o tempo arrefece e o outono se faz sentir.São bailarinas, atrevidas, audazes, acrobáticas, trabalhadoras, peludas, grandes e coloridas, atravessam o jardim de lés-a lés, em todos os cantos se instalam. Entre marmeleiros, já muito depenados e alecrins em nova floração, entre onagras ainda em flor mas já com muitas cápsulas secas de sementes. Constroem estradas e caminhos muitas vezes invisíveis entre alfazemas  e funcho. Julgam estar no paraíso estas amáveis criaturas. Fazem correr fios luminosos pelo ar. Cintilam labirintos suspensos com estranhas criaturas movediças mexendo-se no centro ou correndo para a periferia, tentando remediar algum esticão descuidado ou propositado.Ando um pouco farta desta invasão exagerada.
Confesso que apesar de não ter o mínimo repúdio pelas aranhas, este ano ABUSARAM. Estão por todo o lado.E que são fotogénicas, lá isso são. Gosto de ficar a observá-las movendo-se ágilmente nas suas teias e envolvendo as presas descuidadas que tiveram o azar de por ali passar.